Provavelmente já estás ciente de que os produtos que utilizas todos os dias não são inocentes. Por trás do batom que aplicas de manhã esconde-se uma indústria que deixa uma enorme marca no teu organismo e no meio ambiente. Por isso, cada vez mais pessoas optam pela cosmética natural e ecológica que, não só é melhor para a tua saúde, mas também para a do planeta em que vives.
No entanto, nesta indústria incipiente também existem padrões e aspectos nos quais podes prestar atenção de acordo com os teus valores. Porque não é suficiente que diga 'natural' ou 'biológico', deve ser transparente nos seus processos para que possas escolher com conhecimento de causa.
1. Compatibilidade com a tua pele

Pensa em quantas vezes utilizas o gel de duche, um creme hidratante, uma base de maquilhagem ou um blush na tua pele. Os componentes destes produtos são absorvidos pelos nossos poros dia após dia, sem falar no batom que, diretamente, acabamos por ingerir. Por isso, é importante prestar atenção aos componentes dos nossos produtos diários e aspirar a que sejam o mais naturais possível.
Porque a nossa pele evoluiu em paralelo com a natureza e está preparada para absorver as moléculas que possui. Enquanto que os produtos sintéticos são reconhecidos como agentes estranhos e podem provocar reações adversas como irritações e alergias.
2. Sustentabilidade

Todos os matérias-primas derivadas do petróleo e outras fontes não renováveis tornam a indústria cosmética muito pouco sustentável. Estes recursos são altamente poluentes porque os produtos devem passar por diferentes reações antes de se tornarem ingredientes cosméticos, o que os torna muito difíceis de reciclar.
Ao contrário dos produtos naturais provenientes de culturas, também não se pode controlar o local de origem destes materiais, uma vez que o petróleo tem de ser extraído onde há um poço. Isto faz com que tenham de ser transportados em até três ou quatro trajetos se, por exemplo, o petróleo se encontra nos Estados Unidos, a síntese do ingrediente cosmético é feita na China, é levado a um distribuidor na Alemanha e, finalmente, transportado para Espanha.
3. Ecologismo

O fato de que o teu produto provém de matérias-primas naturais e ecológicas dá-te a segurança de que esse produto se relaciona de forma positiva com o meio ambiente. Os produtos ecológicos garantem uma gestão responsável das culturas com o ambiente, deixando para trás as culturas extensivas que fazem desaparecer a biodiversidade autóctone.
4. Pesticidas

De facto, este tema merece um apartado só para ele, porque é um dos problemas mais importantes da nossa sociedade atual. As culturas extensivas são fertilizadas com pesticidas muito poluentes para os nossos solos que, em muitas ocasiões, acabam em poços de água doce para consumo humano – talvez tenhas ouvido falar da contaminação por nitratos –. Além disso, os inseticidas e pesticidas utilizados são muito agressivos, tendo consequências que todos conhecemos: as pessoas consomem – por ingestão ou pela pele através de cosméticos de origem não ecológica – mas também são responsáveis pela extinção das abelhas e pela biodiversidade em geral, ou pela contaminação dos solos.
5. Proximidade

Utilizar ingredientes de proximidade tem efeitos positivos tanto a nível social como nos aspetos ambientais. Por um lado, contribuis para uma economia de proximidade e de alta qualidade. Por outro lado, evitamos trajetos de uma ponta do mundo à outra de matérias-primas nas quais não houve qualquer controlo sobre a sua plantação ou tratamento.
6. Experimentação animal

A cosmética natural está amplamente consciente dos problemas que esta indústria teve com o maltrato animal e quer desvincular-se dela. Este setor assegura que nem os seus ingredientes nem o seu produto final foram testados em animais.
7. Vegetarianos e/ou veganos

Deste modo, se tens um estilo de vida vegano, não tens de abdicar da cosmética porque pode-se garantir que os produtos não contêm derivados de origem animal ou, pelo menos, nenhum animal teve de morrer para isso.
8. Ingredientes reais e não exóticos contaminantes

Nos últimos anos, deparamo-nos com a moda dos superalimentos: frutas, hortaliças e verduras exóticas que prometem uma eficácia brutal. No entanto, por serem ingredientes naturais que vêm de locais muito distantes e que, além disso, não se encontram facilmente na natureza, o seu preço é muito elevado – além de que o seu transporte é altamente poluente –. Isto faz com que as empresas os utilizem em quantidades irrisórias apenas para poder colocar no rótulo que o contém e, portanto, o seu uso não tem qualquer efeito real no produto cosmético, é simples marketing.
Por isso, é necessário defender os ingredientes reais, de sempre, baratos e que possam ser utilizados em quantidades que tenham efeitos para a pele.
9. Trabalhos artesanais

A cosmética natural também procura a utilização de métodos tradicionais, com baixa industrialização para obter a melhor qualidade possível para o produto, mas também para as condições dos trabalhadores que o produzem.
10. Ética

A estas alturas, todos nós já tomámos consciência de que o consumo que fazemos não é irrelevante. Que apenas o mudança dos nossos hábitos pode deixar este planeta em condições para as próximas gerações. Se queremos viver uma vida em sintonia com a natureza, devemos prestar atenção aos produtos de limpeza, higiene e beleza que utilizamos no nosso dia a dia e exigir aos seus produtores a transparência que precisamos para escolher com propriedade.
Deste modo, não teremos de nos sentir culpados por usar um batom porque a cosmética não estará em desacordo com a ética e a maquilhagem que utilizamos poderá estar alinhada com os nossos valores.
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